Crazy Rich Asians – vale a pena ler?

Confesso que quando peguei Crazy Rich Asians para ler não fazia a menor ideia do que se tratava. Sabia que era um best seller aclamado, cheio de notas altas no Goodreads e com belos elogios da mídia especializada. Na época algumas conversas sobre a existência de um futuro filme já aconteciam, deixando os fãs de trilogia bastante curiosos e ansiosos com o que viria por aí. A série de livros era (e é!) febre nos Estados Unidos, e eu estava empolgadíssima para entrar no mesmo hype.

Para quem não sabe, Crazy Rich Asians (ou Asiáticos Podres de Ricos, tradução do livro em PT-BR) conta a história de um casal de professores universitários: Rachel Chu vem de origem humilde, filha de mãe solo, infância repleta de perrengues e muita luta para ter aquilo que conquistou. Do outro lado temos Nicholas Young, um belíssimo exemplar de homem, extremamente educado, culto, sotaque britânico e pinta de bom moço. Rachel e Nicholas namoram há alguns anos, vivem juntos e levam uma vida simples em Nova York.

cartaz para o filme Podre de Ricos, adaptação dos livros e nos cinemas agora

Vida vai, vida vem, escovas de dente juntas e contas para pagar, Nick decide que é hora de apresentar a namorada à sua família, e em uma data extremamente especial: o casamento de seu melhor amigo em Singapura. Até aí tudo bem, mas o que a protagonista da história não esperava era que o homem com quem ela vinha dividindo o Wi-Fi  não era exatamente aquilo que imaginava. Nicholas é rico…podre de rico! Ou melhor, loucamente rico. Loucamente pois sua família tem hábitos totalmente às avessas. Seus costumes, valores, desejos, manias e vivências… Nada disso parece muito normal aos olhos de Rachel Chu, e é exatamente essa gente pirada e podre de rica que Rachel terá de aturar durante o verão.

Eu sei, a primeira vista a premissa parece meio boba e até desinteressante, mas acreditem quando digo que a história consegue ir além de sua superfície.

Sem entregar spoilers ou estragar a experiência de vocês, vou deixar aqui pontos positivos e negativos que podem ser pesados na hora de escolher a leitura.

Colocando os pontos negativos em primeiro lugar (para finalizar o texto com belos elogios), Crazy Rich Asians não vende em sua sinopse a totalidade de sua história e a importância que o livro tem hoje para a cultura pop americana. O início da leitura pode parecer meio vazio e quase fútil, já que o bruto entrega uma comédia romântica clichê e meio infeliz, dessas em  que a protagonista tem a vida transformada por bolsas de grife e sapatos de mil dólares.

Outro ponto negativo vai para o número de personagens. O elenco da história de Kevin Kwan é gigantesco, e entre tantos acontecimentos absurdos ao longo de quinhentas páginas, fica difícil de memorizar quem é quem, quem faz o que e qual das pessoas listadas é a mais terrível neste universo insano de gente milionária.

Quanto aos pontos positivos, podemos retomar o último parágrafo para dar início aos elogios.

Quando reclamamos do número de personagens no romance, esquecemos que essa é possivelmente uma visão bastante realista do autor em relação à famílias asiáticas, que costumam ser numerosas em primos, tios e tantos outros familiares estendidos. Ainda sobre o realismo, a primeira vista, quando pensamos em uma história repleta de milionários com problemas de gente rica, imaginamos que nada daquilo pode ser comparado ao que existe de verdade no mundo real. Entretanto, como apresentado na WelthInsight, um a cada trinta e quatro Singapurenses pode ser considerado milionário, o que coloca a cidade-estado (ou país, como alguns gostam de chamar) entre os seis lugares com maior número de milionários no mundo. Sabendo disso, o leitor pode se sentir cada vez mais imerso na ambientação descrita por Kwan, que consegue inserir tanto a cultura quanto uma amostrinha da história local em suas páginas e diálogos. Para quem tiver interesse e quiser entender o porquê do sotaque inglês, da preferência por colégios britânicos e a existência de títulos da realeza para alguns personagens do livro, a Time  fez uma matéria bastante interessante sobre a colonização de Singapura e seus primeiros investidores.

Seguindo com a lista de elogios, Kwan faz questão de levantar interrogações aos bilionários asiáticos de sua história. Será que tanto dinheiro assim tem realmente suas vantagens? Será que esses mesmos personagens, tão cheios de manias, regalias e mordomias são felizes? Será que o dinheiro compra tudo?

Ainda falando sobre o cenário construído por Kwan, precisamos levantar aqui a questão principal de todo o alarde criado por Crazy Rich Asians. Analisando o contexto atual, quantas outras obras com personagens e ambientações asiáticas tiveram o mesmo impacto cultural como a série criada por Kevin Kwan? É inegável que a comédia romântica é uma febre  entre os norte americanos, dando assim origem a um dos filmes mais esperados do ano, entregando um dos maiores elenco asiáticos já vistos em uma enorme produção hollywoodiana.

Como alguém que leu e adorou o primeiro livro, mal posso esperar pelo filme! Acredito que certas mudanças devem ocorrer entre uma mídia e outra, mas normalmente essas mesmas mudanças acabam funcionando melhor para o cinema.  A curiosidade maior fica para uma possível continuação, visto que ainda existem mais dois livros que fazem parte da mesma história. Será que vai rolar uma trilogia?

Crazy Rich Asians é divertido, intrigante e viciante. Transcende a comédia romântica e entrega uma obra revigorante, apresentando ao leitor um universo e personagens extremamente cativantes que fogem do mais do mesmo da rom-com americana, mostrando ao mundo que é possível sim transformar seu best seller sobre asiáticos podres (e loucos!) de ricos em um dos blockbusters mais aguardados de 2018.